Texto: Lidiane Moura
Fotos: Charone Borato
O mercado de café não para de surpreender e principalmente, de ter um olhar cada vez mais voltado para a sustentabilidade e as questões ambientais. Recentemente a marca CoffeeB, que integra o grupo suíço Migros, desenvolveu esferas de café totalmente compostáveis.
Fonte da imagem: https://ciclovivo.com.br/inovacao/negocios/esfera-de-cafe-e-alternativa-compostavel-as-capsulas/
Segundo dados da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), em 2019 foram consumidas doze mil toneladas de café em cápsula no Brasil. Não há dúvidas que as cápsulas trouxeram praticidade para o cafezinho de cada dia, porém, pesquisadoras do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) compararam os resíduos gerados pelos filtros de papel e as cápsulas de café disponíveis no mercado e concluíram que o impacto ambiental pode ser 14 vezes mais prejudicial do que usar o coador de papel.
“Consideramos as embalagens das cápsulas, feitas de alumínio e de plástico, e os coadores, constituídos por 100% fibra de celulose. Um brasileiro descartaria por ano cerca de 2,6kg de plástico e alumínio com as cápsulas para uso individual, contra apenas 183g de papel no coador para ‘passar’ até 10 cafezinhos”, aponta Cláudia Teixeira, pesquisadora e chefe do Centro de Tecnologias Geoambientais do IPT.
Em 2017, o Brasil tinha 207,7 milhões de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seriam 540 mil toneladas de alumínio e plástico contra 38 mil toneladas de papel, 14 vezes menos resíduo considerando apenas a massa.
“O papel é um recurso biodegradável e renovável. Ele não poderia ser reciclado, nesse caso, porque teria resíduos em grande quantidade, mas poderia passar pela compostagem junto com o próprio resíduo de café e gerar adubo, ou outros compostos orgânicos”, explica Cláudia. “Já o alumínio e o plástico não são recursos renováveis. Caso não sejam reciclados, levam muito tempo para se decompor junto ao resíduo comum, além de ocuparem espaço em um aterro, por exemplo”.
Ainda que existam opções de cápsulas reutilizáveis e biodegradáveis, a fatia que elas ocupam no mercado é muito menor do que as cápsulas feitas de plástico e alumínio e, considerando o índice de reciclagem de resíduos sólidos no Brasil que é de apenas 4%, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), era de se esperar que as cápsulas se tornassem um problema ambiental.
Já as esferas ou grânulos de café, desenvolvidos na Suíça, mira o público atento às questões ambientais, que não quer contribuir com o aumento da geração de resíduos que dificilmente serão reciclados, mas também não deseja abrir mão da facilidade das cápsulas descartáveis – de uso único e de dose única.
Batizado de Coffee Ball, o produto é feito de café compactado em pequenas bolas, protegidas por um fino invólucro derivado de algas marinhas. Segundo a empresa, o revestimento é seguro para alimentos, transparente e sem sabor.
A Coffee Ball deve ser usada em uma máquina fabricada pela CoffeeB, apelidada de Globe, cujos tamanhos e formatos são específicos para a máquina.
Fonte das imagens: https://hiconsumption.com/coffeeb-globe-ball-machine/
A máquina utiliza um sistema de fermentação patenteado para garantir a consistência dos grãos de café matizados (que recebem aprovação garantida da Rainforest Alliance, Fairtrade ou orgânico da UE). A parte superior de cada máquina armazena nove bolas de café.
Após a preparação, a bola é amolecida e inflada com água e, em seguida, extraída pela máquina usando qualquer pressão entre 7 e 12 bar.
Segundo a fabricante, o que sobrar da Coffee Ball após a preparação do café pode ser colocado diretamente em uma pilha de compostagem, onde será compostada dentro de quatro semanas.
A máquina também é produzida parcialmente com materiais reciclados e possui um design modular que facilita o reparo ou substituição de peças individuais conforme necessário.
A nova cápsula será comercializada na Suíça e França, inicialmente. Não há previsão de quando e se o produto será vendido no Brasil.
Por hora ficaremos na expectativa que esse produto chegue ao Brasil e que cada vez mais, estudos e tecnologias sejam utilizados para implementar soluções que minimizem os impactos ambientais.
O mundo precisa saber dissoo! Incrível!!
Oi Kamilla, assim como você também achamos a ideia incrível e muito benéfica para o meio ambiente. Tomara que se propague logo!